PERSONA | Instalação de Fabrizio Crisafulli

Coimbra, Jardim Botânico - 29 e 30 de Junho 2007, 22:30h
Coimbra, Botanical Garden, June 29th and 30th 2007, 10:30pm

O Projecto Videolab orgulha-se de contar com a presença de Fabrizio Crisafulli nos próximos dias 29 (sexta-feira) e 30 (Sábado) de Junho, para apresentar o seu novo trabalho, "Persona". Esta instalação vídeo/luz será exibida no interior do Jardim Botânico da Universidade de Coimbra.



PERSONA
Instalação de Fabrizio Crisafulli

Videolab Project 2007

Persona é a designação de uma vídeo-instalação inspirada pelo jardim Botânico de Coimbra, pelos seus espaços e ambiências, e solidamente enraizada nas características especificas do local.
A instalação consiste numa viagem nocturna ao jardim. Algumas luzes e “acções” electrónicas integram-se com a paisagem. Imagens e “pessoas” (não personagens, mas algo parecido com pessoas não identificadas) parecem como que geradas pelo próprio local. De alguma forma, são ‘deuses’ contemporâneos, suspensos entre o mito e a fantasia actual. Os movimentos, o comportamento irónico, a luz e os gestos enigmáticos – em relação com as luzes e com o local no qual são geradas – dão origem a um outro mundo de referências e memórias que conduzem os pensamentos a um nível ontológico.

O seu autor, Fabrizio Crisafulli, é encenador e artista visual sediado em Roma, responsável pelo Il Pudore Bene in Vista, uma das mais interessantes companhias teatrais italianas. O campo de actuação de Crisafulli está a meio caminho entre o teatro, a dança e as artes visuais, interessando-se o artista pela pesquisa de um tipo especial de dramaturgia, orientado de acordo com a imagem e o som, o tempo e o movimento. As suas instalações (bem como muito dos trabalhos que desenvolve no âmbito do teatro) são frequentemente orientadas de acordo com a especificidade dos locais propriamente ditos, abordando o tema do local começando pelo local em si mesmo, ou seja, pela sua identidade – com uma abordagem, em simultâneo, meditativa e visionária; com a procura de novas formas de pertença no âmbito da sociedade contemporânea.

O processo do projecto Theatre of Places (Teatro dos Locais) inicia-se com a assunção de que um dado local não é somente o palco para um trabalho artístico mas também uma parte integrante da experiência artística na sua totalidade. De acordo com a concepção de Crisafulli, o local deverá ser visto como uma parte estrutural desse trabalho, assim como uma forma de dar forma aos restantes elementos que o compõem, tais como movimento, ritmo, luz e som (por vezes, o som do próprio local torna-se parte integrante da instalação). Este processo reconhece nos locais a existência de memórias, histórias e ligações com as vidas das pessoas, bem como de uma matéria-prima da qual se deverá fazer uso. Neste sentido, o trabalho artístico esforça-se não apenas por revelar esta identidade colectiva, constituindo-se, assim, como o despoletar da recordação de que se está vivendo num local com história, mas também por nos informar sobre o passado e por nos levar a pensar mais claramente sobre o presente.
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Peter Snowdon

Peter Snowdon esteve em Coimbra no passado dia 18 de Maio para assistir à sessão inaugural do "Transnatura Videolab 2007", da qual fazia parte o filme "Two Thousand Walls", o seu mais recente trabalho. O texto do artista inglês, que o Videolab se orgulha de apresentar, é um relato poético sobre essa sessão. / On May 18, Peter Snowdon honored Videolab with his presence in the first session of "Transnatura Videolab 2007", during which "Two Thousand Walls ", the English artist's latest work, was one of the films screened. The following text ilustrates Peter's poetical reflection on that session.

Corpo Formal: A Moreton Bay Vision

It is a rainforest plant and in this environment more often grows in the form of an epiphytic strangler vine than that of a tree. When its seeds land in the branch of a host tree it sends aerial, 'strangler' roots down the host trunk, eventually killing the host and standing alone.

We set the screen up in the shade of the serial killer -- figueira estranguladora. A vast white square of synthetic fabric. Tiny stones and seeds showed through wherever it touched, however briefly, the ground. Then attached with the most wicked press studs I ever saw to two slender extendable metal rods, which flicked out like the wooden rulers which the carpenter used to carry when he came to my parents' house when I was a child.

How could you hold up so much whiteness with just two flimsy rulers? Sergeui ran up a ladder and started tying the screen to the gatepost with a piece of string.

I felt at home here. I went down to stand by the fountain, trespassing without knowing it on the centre of the vegetable world.

When they turned the projector on to line it up, I could see the hands of the strangler waving at me through the canvas -- as though the film had already begun.

Later, Paulo showed me one of the perfectly drawn circles which its roots leave behind as they descend into the ground. "That used to be a pine tree," he explained, "before he hugged it too close".

*

I remember bodies that opened onto other bodies, colours that opened on to other colours, blacks that were no longer black, whites that were no longer white.

I remember the sea in a subway, the Vatican in a doll's house, skin like the surface of an undiscovered planet.

I remember the party-coloured bicycles hurtling along the gunmetal grey streets of the incomprehensible city, so far from our Eden, and yet so innocent, wonderfully speeding to their desperate nowhere.

All I could see was cars. Leaves and cars. But it is the bicycles I remember.

*

Seventy-five people strayed through the arches of the aqueduct as the sun collapsed. The evening released them into the garden like spores from a dying plant. They floated there, refusing to be rounded up, to recognise anything as directive as an 'event'. Seating experimental film lovers is like herding cats into the parlour to be milked.

Seventy-five people collected on the steps below the greenhouses. They smiled into the darkness. They looked like they trusted the strangler. Not me. I sat to one side, as far away as I could get.

The frogs belched rhythmically in the fountain below, and the figueira lobbed its small inedible grenades at our ankles, landing them with treacherous precision, their tiny explosions fair warning of the external combustion that lay in store.

The films played like a string quartet on a cliff top, as the the roar of arranged and ungovernable nature rose towards them, sometimes lapping at their feet, sometimes crashing over them, drowning them, as high as houses, as wild as what remains of our hearts.

So how, when Olga rose at the end and asked me to say something to the audience, and everyone turned round -- how should I or anyone have been surprised to find that there was no trace of me left where I had been sitting? All that remained was a coil of sullen root enclosing the empty circle where my body had once been, and the faint memory of a smile lacing the cool night air.

Peter Snowdon, Coimbra-Brussels, May 2007

Transnatura Videolab | 15 e 16 Junho

Local: Jardim Botânico - Coimbra (Botanical Garden - Coimbra) / 21H30 (9:30pm)



15 de JUNHO - (Sexta-feira) / (June 15)

"IMAGEM-PENSAMENTO"

"Foucault par lui-même" de Philippe Calderon e François Ewald apresentação por António Fernando Cascais
Philippe Calderon e François Ewald cruzam imagens de arquivo de programas de televisão e gravações de seminários com a leitura de textos do filósofo para nos revelar a experiência do pensamento de Michel Foucault.

António Fernando Cascais é Professor auxiliar na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e é investigador no CECL. Dirige o projecto de investigação "Modelos e Práticas da Comunicação da Ciência em Portugal", financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia. É autor de inúmeros artigos científicos, publicados em Portugal e no estrangeiro. De sua autoria publicou, entre outros: Indisciplina a Teoria (edições Fenda), Fenda: cinco anos de solidão (edições Fenda), destacando-se também a organização e tradução de Foucault, a norma e o direito, de François Ewald e da própria obra de Michel Foucault "O que é um autor?", ambos pela editora Vega. Licenciou-se em Filosofia na Universidade de Coimbra, tem dois Mestrados, um em Bioética pela Universidade Complutense de Madrid e outro em Ciências da Comunicação, pela Universidade Nova de Lisboa, precisamente sobre Michel Foucault, sob o título "Michel Foucault: de uma arqueologia do saber a uma vontade de verdade". Doutorou-se pela mesma Universidade em 2000, com a tese "Comunicação e Bioética. A mediação dos saberes na experimentação humana".

16 de JUNHO - (Sábado) /(June 16)
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"IMAGEM-PENSAMENTO"


"Cremaster 3" de Matthew Barney apresentação por José A. Bragança de Miranda

José Bragança de Miranda é membro fundador e actual Presidente do CECL. Professor associado na Universidade Nova de Lisboa, no Departamento de Ciências da Comunicação, onde lecciona as cadeiras de Mutação dos Media, Teoria da Cultura e O corpo e o espaço nas artes contemporâneas, sendo também coordenador do Mestrado em Cultura Contemporânea e Novas Tecnologias. É assessor científico do Departamento de Ciências da Comunicação, Artes e Tecnologias da Informação da Universidade Lusófona. Doutorou-se em 1991 na Universidade Nova de Lisboa e prestou provas de agregação na mesma instituição em 2000, na disciplina de Teoria da Cultura. Dirige o projecto de investigação "Tendências da Cultura das Redes em Portugal", financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia. É vice-presidente da Sopcom, Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação.

Transnatura Videolab / 6, 7, 8 e 9 Junho

* Sessão Especial: Hoje, 5 Junho, o Transnatura Videolab apresentará uma sessão especial para os participantes no IX Simpósio da Associação Ibero-Macaronésia de Jardins Botânicos. A sessão realizar-se-à pelas 21H30, no Jardim Botânico da Universidade de Coimbra e terá o seguinte alinhamento:
“Missão Académica a Angola” (excerto) – Maximino Correira
“Geist” – Mark Hemmings
“Dies Irae” – Jean-Gabriel Périot
“Happy Again” – Gregg Biermann
“Never Tell a Secret” – José Maças de Carvalho
“Undo” – Jean-Gabriel Périot
“To President” – José Maças de Carvalho
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Para mais informações sobre o simpósio: http://www.uc.pt/botanica/intro.htm
(6 de Junho) (June 6) / "Zizek" de Astra Taylor – apresentação por Jacinto Godinho
(7 de Junho) (June 7) / “IMAGEM CORPO” - “Corpo Transmutado” (“IMAGE-BODY” – “Transfigured Body”)
(8 de Junho) (June 8) / "La Société du spectacle" de Guy Debord – apresentação por José Pinto
(9 de Junho) (June 9) / "Deleuze – C(h)i pensa il cinema?" Curso em Vincennes – apresentação por José Gil

Jardim Botânico - Coimbra (Botanical Garden - Coimbra) / 21H30 (9:30pm)

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6 de JUNHO - (Quarta-feira) / (June 6)



"IMAGEM-PENSAMENTO"

"Zizek" de Astra Taylor – apresentação por Jacinto Godinho
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Jacinto Godinho - Jornalista da RTP e Professor do Departamento de Ciências de Comunicação na Universidade Nova de Lisboa, onde lecciona as disciplinas “Discursos dos media” e “Géneros televisivos”. Licenciado em Comunicação Social pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (Universidade Nova, Lisboa), possui Mestrado e Doutoramento em Ciências da Comunicação.
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"Slavoj Zizek, um homem entre muros" - Revista "Op." #22, Primavera 2007

7 de JUNHO - (Quinta-feira) / (June 7)
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“Gender Bender Hallo” - Alison Williams
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“IMAGEM CORPO” - “Corpo Transmutado” (“IMAGE-BODY” – “Transfigured Body”)
“Corpo Transmutado” é uma reflexão que analisará as múltiplas possibilidades do corpo, não somente as simbólicas e as que lhe são intrínsecas, mas especialmente aquelas que apontam para uma reconfiguração dos seus próprios limites. / “Transfigured Body” is a reflection that will analyse the multiple possibilities of the body - not only the symbolic ones, but specially those pointing to a reconfiguration of its own limits.
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(intro) “Loud And Clear” DIETMAR KRUMREY (EUA)
“Ornamental” ANNA CHIARETTA LAVATELLI (EUA)
“Words as Adornments” NATHANIEL WOJTALIK (EUA)
“Love [Me] Tender” MARY BOGDAN (Canadá)
“Kip Masker” MARIA PETSCHNIG (Áustria)
“Entitled As” ARZU OZKAL TELHAN (TURQUIA)
“Mother’s Milk” AMELIA WINGER-BEARSKIN (EUA)
“Packaged Goods” LEAH MEYERHOFF (EUA)
“Gender Bender Hallo” ALISON WILLIAMS (África do Sul)
“Nothingness” ARZU OZKAL TELHAN (Turquia)

Programa/programme (pdf)

8 de JUNHO - (Sexta-feira) / (June 8 )
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“IMAGEM-PENSAMENTO” (“Image-Thought”)

"La Société du spectacle" de Guy Debord – apresentação por José Pinto (Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias)

Guy Debord (1931-1994) - filósofo e cineasta, integrou a Internacional Situacionista, um movimento político e cultural surgido na Europa em finais da década de 1950 e que influenciou os acontecimentos de Maio de 1968 em Paris e mais tarde o aparecimento do punk. "A sociedade de espectáculo" é a mais célebre obra de Debord.

9 de JUNHO - (Sábado) / (June 9)



“IMAGEM-PENSAMENTO” (“Image-Thought”)

"Deleuze – C(h)i pensa il cinema?" Curso em Vincennes – apresentação por José Gil
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José Gil - Professor universitário, ensaísta, ficcionista e filósofo. Tem vasta obra científica publicada em publicações especializadas nacionais e estrangeiras e treze livros publicados em Portugal e França. Dirige, desde 1986, a colecção de Filosofia na editora Relógio d'Água. Organizou, com Maria Teresa Cruz, a edição "Imagem e Vida" da Revista de Comunicação e Linguagens (publicação do CECL), em 2003. O seu livro "Portugal, Hoje. O medo de existir" teve quatro edições em três meses. A revista francesa Le Nouvel Observateur, em número especial comemorativo do seu 40º aniversário (Jan. 2005), considerou-o um dos "25 grands penseurs du monde entier". Estudou em França com Gilles Deleuze e prefaciou a edição da sua obra, publicada na Relógio d'Água, Diferença e Repetição.